Cada pessoa é a sua própria palavra neste mundo.
Cada ser é uma expressão única, inédita e exclusiva D’Aquele que É.
Cada ser vivente é um SOM (palavra de Kaká Werá).
Por isso a resistência de certas culturas em aceitar o registro escrito ou imagético.
Porque cada pessoa é só ela, e só ela pode expressar o seu pensamento, o seu SER, mesmo assim, parcialmente.
Nunca nos mostramos totalmente ao outro, porque seria impossível a nós e ao outro, perceber-nos integralmente.
A mania de registrar, de documentar, vício humano, de alguma forma nos rouba a alma, pois nos leva a parar o fluxo para tentar retê-lo, como quem retém o ar enquanto respira.
Algumas tribos diziam que a fotografia “roubava a alma da pessoa fotografada”.Eles provavelmente sentiram isso, esta tentativa de conter o que não pode ser contido.
A vida é fluida, a alma é fluida.Viver é...viver...
A gente escreve, fotografa, filma, para fingir que tem o momento nas mãos.
Não tem não.
Platão sabia.
Heráclito também.
Os índios sabem...
A foto vai trazer uma sensação parecida, vai lembrar o momento vivido, mas não, nunca, repeti-lo.
Laisser passer...
O homem teima em querer segurar o tempo, mas o tempo é sopro, e o sopro vem de Deus, vem e vai – não se pode segurar.
Você não pode segurar o que não é seu.
Agora...Nenhuma destas considerações invalida a escrita, a fotografia, ou qualquer mídia, ou qualquer tentativa de documentar o que se passa, em qualquer esfera que se passe.
Principalmente se e quando, escrever, filmar, fotografar sejam pra gente como que parte do nosso viver...
Acontece! A gente pode criar universos paralelos, através das Artes, da Literatura, do Teatro, do Cinema...
E gostar de viver um pouco neles...

duda
Seg 07 Jul 2008 04:53